Quem você vê quando se olha no espelho?


Flávia, foto feita com Canon T6i + 55mm

Existentes antes mesmo da antiga Roma, os espelhos são, talvez, a mais simples forma de autorreflexão. Seja de cobre, vidro, prata, alumínio ou até mesmo em reflexo de água, ao parar na frente de um espelho, ele mostra a versão exterior de você mesmo — um reflexo visto por seus próprios olhos.


Justamente é isso que nunca nos vem à mente: o que é mostrado no espelho é a forma como nós mesmos nos enxergamos. Portanto, a forma como encaramos a nossa própria imagem é, também, fruto da delicadeza ou aspereza com a qual a tratamos, de um auto-olhar sobre nossa aparência externa. Ao olharmos para o espelho, nossa primeira reação pode ser "olha essa olheira de panda" ou "não vejo a hora de remover essa cicatriz horrível". Por outra perspectiva, podemos enxergar tudo o que é lindo, "perfeito" e saudável em nós. Pensar no "meu sorriso sincero", "meus cachos estilosos", "minha sobrancelha desenhadinha", literalmente todo o resto. Provavelmente você, assim como eu, está bem mais acostumado ao primeiro tipo de reação.


Desde cedo, somos ensinados a enxergar em nós mesmos o que a sociedade chama de defeito, mas raramente paramos na frente de um espelho para admirar nossos outros traços. O que você mais admira na sua imagem? Qual parte do que o espelho te mostra que mais te agrada?


Nossos olhos ficam tão viciados em encontrar defeitos que esquecem que a "olheira de panda" foi fruto de uma noite de trabalho, um passo a mais para seu futuro, ou mesmo uma noite divertidíssima com os amigos. Esquecem que a "cicatriz gigante e horrível" é uma marca de um ato de coragem e superação, ou tem uma história enorme e engraçada de travessura de criança por trás.


Ainda mais importante, vale a reflexão: quem sou eu além dessa imagem? A superficialidade de um espelho jamais vai ser capaz de capturar a sua essência, apenas sua imagem exterior. Ela não reflete seu esforço, sua espontaneidade, sua doçura, seu cuidado ou qualquer outra qualidade interior. E o pior, com nossos auto-olhares ásperos sobre nós mesmos fica quase impossível transcender essa barreira superficial.


Particularmente falando —hoje quem conversa com vocês é a Sahra—, poderia facilmente dizer que, antes do Brio, 80% das vezes que me olhava no espelho, eu reparava apenas em "defeitos", desde manchinha no dente e unha mal feita até problemas com meu peso e forma corporal.


Sempre cultivei esse olhar ácido sobre a minha própria imagem e digo a vocês que superá-lo é um exercício diário cujo primeiro passo é a gentileza. A regra é simples: não diga nada a si mesmo que você não falaria ao seu melhores amigos. Você sairia dizendo pra alguma pessoa que ela está "enorme de gorda"? Ou que ela "tem mais espinha que rosto"? Não! Sabemos que isso a magoaria, talvez até traumatizaria, então por que não hesitamos em magoar-nos diariamente?


Um auto-olhar gentil significa ser sua própria melhor amiga. É tratar-se com amor-próprio suficiente para conseguir enxergar sob a fumaça de um olhar áspero e deparar-se com a pessoa incrível que você é. É ver a você mesmo, com todas as partes que você ama e alguma que não ama tanto assim ainda, toda vez que se olha no espelho. Bora?

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