Uma experiência preenchida por símbolos

Toda grande história tem um símbolo. Uma marca, uma imagem, uma cicatriz. E conosco não foi diferente.

Raquel, foto feita com Canon Rebel XTi, sigma 55mm

A história do anel é uma daquelas que simplesmente aconteceu, sabe? O anel se tornou "o anel" da maneira mais espontânea e telepática possível - como boa parte das coisas do Brio.


Tudo começa com três pessoas muito importantes para mim (Laura, Isabela e Amanda) em um local inusitado (Argentina). Hoje quem conversa com vocês é a Flávia e, para quem não sabe, em 2016 eu fiz um intercâmbio solidário em Córdoba, na Argentina, onde passei dois meses trabalhando com adultos deficientes por sequela, e foi uma das experiências mais gratificantes que eu já vivi. Foi nesta viagem que conheci essas três pessoas.


Os anos se passaram e o esforço para nos vermos nunca diminuiu; nestes três anos já conseguimos nos ver três vezes. Moramos cada uma num canto: eu moro em Florianópolis, a Laura mora em São José do Rio Preto, e a Isa e Amanda moram em Recife. E é na cidade maravilhosa de Recife que a história do anel toma a forma que tem.

Amandha, foto feita com Canon T6i, 55mm

Em janeiro deste ano, fui para Recife para prestigiar a formatura da Amanda. Lá, eu tive o prazer de conhecer uma marca local chamada TOUT (eu recomendo MUITO os produtos deles), onde compramos o presente de formatura da Amanda. E o curioso dessa parte da história é que eu só comprei este anel chevron (o nome do formato dele, esse "triângulo) porque a Sahra tinha um modelo parecido, em rosé, que ela perdeu no mar em uma das nossas sessões de foto com o celular, lá nos primórdios do Brio (já leu o post em que contamos a nossa história?).


Algo muito forte sobre mim é que eu sou uma pessoa que atribui significados a tudo. Todas as decorações do meu quarto têm uma história; cada jóia que eu uso (e nunca tiro) tem um significado ou ganhei de alguém (inclusive o anel do brio); e por aí vai. No começo, eu ainda não tinha encontrado um significado para ele, foi uma das poucas joias/bijuterias que eu comprei "sem motivo". Até que o melhor dos motivos apareceu para mim.


Essa história é cheia de parêntesis; cheia de outras pequenas histórias que são essenciais para que ela faça sentido. Aqui começa mais uma: eu tenho um histórico, até grande demais, de colocar todo mundo à frente de mim. Sempre pensei nos outros antes de pensar em mim mesma, por muitos anos aturei pessoas que não me faziam bem por medo do que pensariam se eu parasse de vê-los; por muitos anos me obriguei a fazer, dizer, ser coisas que eu não queria, também por medo do que os outros pensariam. Minha cabeça, até hoje, funciona da seguinte forma: se eu for querida, serei amada.

Beatriz e Letícia, foto feita com Canon XTi, sigma 55mm

Talvez muitos de vocês estejam se identificando com essa parte da história. Afinal, é assim que toda boa história de jornada do amor-próprio se inicia: com um fundo do poço entre você e você mesma. Eu lutei no time do adversário por muitos anos, caro briomigo. E foram precisos muitos, MUITOS, tapas na cara para entender o quão errado era aquilo. O Brio

é produto de bastante luta contra nós mesmas, de constantes esforços para não ceder àquilo que era o que estávamos acostumadas.


E algo que me ajudou muito nessa caminhada foi fazer terapia. Faço terapia toda semana há cinco anos, porém estou com a minha atual psicóloga há dois. Estávamos numa sessão, em fevereiro, e eu estava justamente discutindo o quanto eu costumava esquecer de mim quando estendia a mão ao outro. Neste momento, eu como boa descendente de italianos que gesticula muito quando fala, esticava os braços para simbolizar essa mão que estende ao outro e esquece de si.


E foi quando muita coisa fez sentido. Naquela época, eu usava o anel com a flecha virada para fora. Eu, dramática como sempre, parei de falar instantaneamente, virei o anel para mim, olhei para minha psicóloga e disse "de hoje em diante, esse anel vai ser o meu lembrete diário de olhar para mim, mesmo com a mão estendida ao outro".


Eu avisei que adorava atribuir significados às coisas.

Luana, foto feita com Canon Rebel XTi, 55mm

Alguns dias depois de todas essas estórias que se entrelaçam, surge o Brio. Já que você, briomigo, com certeza leu o post sobre como começamos e sabe toda a nossa história, sabe que a Talita foi nossa primeira modelo. E, no dia em que a fotografamos, estávamos no elevador, descendo para ir ao local do ensaio, e ela elogiou meu anel. Enquanto eu a contava a história do porquê ele era virado para mim, eu e a Sahra tivemos uma das nossas conversas telepáticas.


PARA TUDO. Pausa para dizer que, caso você nunca tenha convivido comigo e a Sahra, nós somos muito telepáticas. É bizarro. A maioria das nossas ideias em ensaios são compreendidas apenas com um olhar. Já falei que é bizarro? Já. Ok. Voltemos à estória.


Uma troca de olhares e foi isso. Eu tirei o anel do meu dedo e coloquei na Talita. Ela também logo entendeu o que quisemos dizer.


E desde aquele dia, todas as pessoas que participam do Brio usam o anel durante o ensaio. Mais do que nosso símbolo, ele se tornou parte do processo, ele faz parte do dia de amor-próprio que queremos entregar às pessoas. Ele e o Brio nasceram exatamente no mesmo dia, e é para nós uma das partes mais especiais do nosso projeto.

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