Você já se amou antes - só esqueceu como fazer isso

Atualizado: Mar 29

Lembro que, quando eu tinha aproximadamente 5 anos, fiz uma viagem com minha família e tinha o costume de tirar fotos com os braços abertos, como se estivesse voando. Queria ser o Super-Homem, ou qualquer outro herói.


Essa era a minha referência, ser um herói. Mas eu estava super confortável sendo eu mesmo. Na realidade, eu até queria ser o Super-Homem. Só que eu queria ser um Super-Homem diferente, mais “eu”, e menos “ele”. O meu boneco era bonitão, mas eu era diferente dele. E podia continuar sendo o Super-Homem daquele jeito: diferente.

Luiza, foto feita com Canon Rebel T6i + Sigma 17-55mm

Naquela época, as fotos precisavam ser reveladas. Eu passei por alguns dias de ansiedade até a chegada delas, prontas, impressas em um álbum. Eu não via a hora de vê-las e gravar aquele momento para sempre.


Quando chegaram, porém, elas provocaram uma espécie de revés na minha família. Quando foram reveladas, todos se reuniram para zombar do fato de que eu estava com os braços abertos e, por ser muito magro, eles pareciam “sumir” nas fotos.


Uma lembrança muito forte que tenho foi de ouvir um comentário específico:

Você não deveria tirar fotos com os braços abertos. Você é magro demais. As fotos ficam feias!


Eu não estava entendendo aquele auê. Poxa, as fotos ficaram feias, mesmo? Não é justo. Eu havia colado algumas delas na cabeceira da minha cama e passava minutos, antes de dormir, olhando para elas com tanto carinho. Eu tinha amado aquela viagem, aquele dia. Pra mim, não faz sentido essa história de que as minhas fotos ficaram feias!


Aos poucos, porém, as noites de muita alegria e prazer lembrando daquele dia foram se tornando um pouco diferentes. Bem, eu tinha cinco anos, mas aquilo que os adultos falaram soou muito verídico. Eles me deram um conselho, não foi um simples comentário. Não tire mais fotos assim. Era um conselho.


Será que eles estão certos?


Pegar o meu boneco do Super-Homem para brincar se tornou uma espécie de fardo. Antes, era como se eu e ele fossemos amigos e eu tinha certeza que, um dia, iríamos derrotar o Lex Luthor juntos, lado a lado. Agora, era como se o Super-Homem fosse o meu inimigo. Ele tinha um corpo esguio, grande, musculoso. E eu era apenas o menino com bracinhos finos que ficou feio nas fotos da viagem.


Será que eles estão certos?


A verdade é que, quando penso nas fotos daquela viagem, e em toda a minha empolgação para conferir como ficaram, o sentimento era de euforia. Nada, naquele momento, era mais importante do que reviver minha viagem através das fotos.

Maria Luiza, foto feita com Canon Rebel T6i + Sigma 17-55mm

Eu não tinha opiniões sobre o que estava registrado nelas. Eu tinha momentos, e a intensa lembrança deles. A possibilidade de revivê-los sempre, através daquele registro, era empolgante demais para mim. E me ver naquelas fotos, pela primeira vez, foi de uma felicidade quase criminosa. Como sou feliz por poder ter feito essa viagem! E como sou feliz por poder ter tirado essas fotos!


Eu não havia percebido se meus braços eram finos demais quando abertos ao lado do meu corpo, nem se minha cabeça era grande ou pequena, muito menos se meu corpo era magro ou não. A importância da foto era muito maior do que qualquer mero detalhe.


A grande ironia é que passados 20 anos, eu sofro com um quadro de compulsão alimentar e nunca mais consegui ter um corpo considerado “magro”, pelos padrões que conhecemos. E eu demorei muito, muito tempo, para conseguir olhar para mim mesmo novamente, como eu fiz no exato momento em que vi aquela foto pela primeira vez: sem destacar defeitos. Afinal, eles não existem!


O movimento de encontrar o amor-próprio é mágico, pois implica em uma reconexão. Você não está feliz por encontrar algo que nunca teve antes - você está feliz por estar revisitando um momento da sua vida em que já viveu essa paz antes. Talvez, seja uma memória vívida. Talvez, você acredite que nunca tenha se amado ou se aceitado. Mas, a verdade é que uma criança não olha para si com negatividade, até que alguém o faça por ela.


E veja bem, poder afastar-se do auto-julgamento é, por si só, um enorme privilégio. Não é todo mundo que consegue. Muitos passam uma vida inteira às turras com seu próprio ser, o que é extremamente cruel.


Quando nos reconectamos com nossa essência, passamos a viver essa liberdade novamente. A vida fica mais leve, porque olhar para o espelho é um desejo, e não um peso. Apreciar o seu físico é um prazer, e não um fardo. Se conhecer é algo empolgante, e não estressante. E se auto-apreciar é agradável, fácil. Nos provoca um sentimento de alegria.

Quando eu me fiz aquela pergunta, com 5 anos, será que eles estão certos?, eu passei a fazê-la sempre. Todas as vezes que era confrontado com uma opinião depreciativa sobre mim, eu passei a concordar com os outros.


Esse é o início de um movimento auto-destrutivo que aplicamos a nós mesmos em várias áreas da vida. Afinal de contas, praticar o amor-próprio não é encher a banheira, acender uma vela e fazer uma máscara - também é isso, mas não somente. O amor-próprio consiste em se entender, se observar e se respeitar, em todas as áreas da vida. Seja ao apreciar o que você vê quando se olha no espelho, seja se parabenizar pelo trabalho incrível que você acabou de realizar, seja sentir uma grande excitação pelo bom amigo que você foi para alguém em algum momento… E a lista vai seguindo. É a sua empolgação por ser quem é. É a sua opinião positiva sobre si.

Anne Louise, foto feita com Canon Rebel XTi + Sigma 17-55mm

Se reconectar com o momento em que você se olhava sem julgamentos é difícil, mas é a maneira mais eficaz de realmente entender quem você é e o que você espera (e merece) da vida. É a oportunidade de sentir aquele sentimento de calor profundo no seu coração, que você só sente quando sabe que está no caminho certo.


Quando eu olho para aquela criança sem muita consciência (convenhamos, eu tinha 5 anos) e percebo que ela abriu espaço para o autojulgamento mesmo tão pequena, eu não defino essa situação como um erro, ou como o fator responsável por tornar essa parte da minha vida difícil. Eu me sinto livre.


Me sinto livre porque, agora, eu posso sempre consultar uma grande referência de quem eu sou, principalmente quando eu me sinto meio tonto, meio perdido no meio de tanta coisa e/ou pego no calor dos acontecimentos da vida. Eu tenho a quem recorrer: e essa pessoa sou eu. Eu recorro a mim mesmo.


A nossa trajetória de vida fica muito mais fácil quando aprendemos a verdadeiramente amar quem somos. Acredite em mim: você vai pedir coisas por coisas grandiosas, entregará coisas melhores e receberá momentos e experiências incríveis em troca.


Você deveria tentar. É de graça.


Por: Fábio Ghisi


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