Você não tem qualidades e nem defeitos


"Todos nós nascemos com defeitos"


Começo demonstrando a minha indignação com essa frase tão, mas tão comum, que chega a me deixar preocupada.

Luiza, foto feita com Canon Rebel XTI + Sigma 55mm

Você já parou pra pensar no que significa o termo "defeito"? No sentido mais literal, mais prático possível? Talvez esse exercício faça você pensar duas vezes antes de dizer novamente que você tem defeitos.


Algo defeituoso é algo que não pode ser utilizado. Num sentido bem prático, quando você compra algo, e este objeto vem com defeito, ele não é capaz de entregar o seu propósito por completo; há algo que o impede de ser útil, e por isso ele deve ser descartado. Coisas defeituosas são coisas descartáveis. Coisas que vêm com defeito são coisas que podem, e devem, ser substituídas.


Por favor, a partir de agora, pense duas vezes antes de dizer que você tem defeitos.


Diovana, foto feita com Canon Rebel T6i + 55mm

Depois que eu comecei a enxergar a palavra "defeito" dessa forma, da forma objetiva e literal, muitas coisas mudaram. Porque, por mais que nós não percebamos no nosso cotidiano, nosso cérebro tem a capacidade de compreender esse significado literal das palavras de maneira inconsciente, fazendo com que você, inconscientemente, acredite e diga ao seu cérebro que você é descartável e substituível. Que você não tem propósito nenhum, pois não é capaz de ser útil. Pesado, né?


Mas eu também não gosto do uso da palavra "qualidade", por mais que ela seja algo bem mais positivo que "defeito". Qualidade seria, portanto, aquilo que atribui utilidade às coisas, ou algo que determina aquilo que a essência da pessoa transmite. Novamente, essas palavras, de certa forma, nos objetificam, pois elas determinam que aquilo que somos é ou bom ou ruim, é uma qualidade ou um defeito.


Nós somos muito mais do que qualidades e defeitos. Todas as nossas características, todos os aspectos da nossa personalidade, podem ser nos fazer bem ou mal. Tudo aquilo que faz parte daquilo que chamamos de "Eu" pode ser visto como algo benéfico ou não.


Por exemplo, eu sou uma pessoa bastante emotiva. Tá aí uma característica geralmente tachada como "defeito". Ser emotiva traz algumas consequências, sim, como ter dificuldade de controlar as minhas emoções, ou chorar bastante em momentos que eu gostaria de não chorar. Mas, ao mesmo tempo, ser emotiva me dá uma sensibilidade aguçada para as artes, para a compreensão da emoção do outro, me torna empática. E eu não trocaria a minha empatia por nenhuma briga sem lágrimas.


Camilla, foto feita com Canon Rebel XTi + Sigma 55mm

Nós não temos pontos fortes, e muito menos pontos fracos. Nós temos essências; nós temos símbolos, coisas que fazem de nós, quem somos. Nós temos nós, na mais pura essência do que isso possa significar. Então, da próxima vez que você parar para pensar em quem você é, e nas suas características, não as divida entre coisas boas e ruins. Mas, sim, num plano de autoconhecimento muito mais abrangente do que "coisas boas e ruins sobre mim". Divida-as em características, e como cada uma delas pode agregar e dificultar a sua vida. Garanto que isso vai transformar a maneira como você se vê.


Autoestima e autotransformação é sobre os pequenos passos que damos diariamente. Nós sempre falamos que nada disso é imediato; que você não acorda um dia se sentindo a pessoa mais amada por si do mundo. Talvez este possa ser um pequeno passo transformador para você, ou talvez não. Mas não custa nada tentar, certo?

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